domingo, 1 de março de 2015

Blog novo

Já estou com o novo blog no ar. É um blog bem diferente desse e não sei se todo mundo vai se interessar. Para quem quiser conhecer, é só clicar aqui.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Novo blog?

Oi gente. Tenho pensado em criar um blog novo, um onde eu possa integrar diversos aspectos da minha pessoa. Muita gente me escreve pedindo novos posts sobre minimalismo e consumo consciente e a verdade é que, por mais que esses sejam assuntos do meu interesse, eu sou uma pessoa de fases. Eu tenho paixões muito intensas por temas, assuntos, atividades, etc. Aí,  quando estou envolvida com aquilo, volto quase toda a minha energia para o assunto, escrevo, pesquiso, estudo, faço as coisas mais malucas, fico até de madrugada ruminando e fazendo coisas que muitos achariam chatas mas que eu acho interessantíssimas (exemplo: fase de arrumar gavetas; ninguém entendia qual era a graça, mas eu adorava). Aí.... a paixão passa. Surge outra coisa que me chama mais atenção e essa passa a ser minha nova mania. E eu posso me apaixonar por quase tudo. Abro uma enciclopédia numa página aleatória e posso me apaixonar por vulcões e resolver que nos próximos dias assistirei a todos os documentários, lerei todos os livros sobre o tema, encomendarei livros especializados no exterior. Logo, eu tenho um bocado de cultura bizarra, o que me torna interessante, mas ao mesmo tempo eu abandono as coisas com relativa facilidade. Algumas coisas me marcam demais e me transformam profundamente: elas se incorporam à minha personalidade e à minha rotina e há uma transformação de quem eu sou. Outras são esquecidas e passam a fazer parte de um museu já cheio de projetos. O consumo consciente e o minimalismo me transformaram e se tornaram parte de mim. Mas cansei de escrever só sobre isso. Sério. Não tenho a menor paciência para escrever num blog onde só falo de um tema ou onde tudo gira em torno de um aspecto de quem eu sou. Entendo mais do que nunca porque as bandas de rock que a gente ama de repente resolvem gravar cds que não têm nada a ver com suas raízes! Tendo dito isso, devo admitir que sinto falta desse espaço meio confessional do blog.

No início,  quando pouca gente entrava e eu não tinha aparecido na tv, era mais divertido. Eu me sentia mais anônima e, por isso, escrevia com mais liberdade. Com o tempo passei a me sentir muito exposta. E eu sou uma pessoa reservada, na minha, dessas que todo mundo olha pra minha cara e deduz que eu pareço super tradicional (não sou), certinha (muito menos) e equilibrada (Ha ha ha!). Enfim... Eu sou aquela pessoa que não tem muito saco pra redes sociais, que fica mais quieta no canto lendo um livro e daí tem que ouvir de todo mundo a pergunta "Tá tudo bem? Você tá tão quietinha...." e também adoro a minha casa. Eu me abro, como me abro aqui no blog, para poucas, pouquíssimas pessoas em quem eu confio muito. E se eu gosto realmente de alguém ou estabeleço uma amizade e chego a chamar a pessoa pra vir na minha casa, é pra vida toda, ou pelo menos costuma ser. Então, o blog por muito tempo foi uma forma de estar em contato com as pessoas e ao mesmo tempo respeitar esse meu jeito. Eu não tinha idéia de que ia rolar tanto feedback, tantos e-mails, tantos comentários,  entrevistas, etc. E eu sei que eu podia ter surfado nessa onda se quisesse e também que poderia e deveria ter dado mais atenção para várias pessoas que conheci através do blog. Mas não sou eu, pelo menos não nesse momento da minha vida, e agora eu estou entendendo melhor que só vou conseguir voltar a escrever se eu voltar um pouco pro esquema de antes. E se eu não tiver de escrever só sobre minimalismo. Porque surgiram umas novas manias ótimas.  E talvez alguém quisesse ler sobre elas. 

Estou com um projeto de fazer exercício todos os 365 dias de um ano. Eu tenho uma fixação com isso de fazer uma coisa, qualquer coisa, por um ano. E também estou lendo bastante. Estou numa fase de graphic novels. Passei por uma fase de participar de mil debates feministas. Enfim... tenho assunto, muito assunto, só que quase nada pra falar sobre minimalismo. Estou pensando em criar um novo blog para assuntos múltiplos. Acho que não é tão interessante quanto um blog temático,  pois acaba sendo uma coisa pessoal demais, meio misturada e que me faz lembrar de um diário (preguiça de diário!)... mas eu preciso escrever. Eu nunca tinha sentido isso de forma tão acachapante. Vista de fora, a minha vida é bem comum, mas na minha cabeça tudo é muito interessante. Eu fico um moooonte de tempo em casa e imagino que eu devo soar muito parada pra quem olha para mim, mas internamente estou muito viva e, se não escrevo, fico com tudo isso guardado. E eu vejo que a maior parte das pessoas baseia sua vida em fatos, mas a minha está claramente alicerçada em sentimentos e pensamentos... e eu preciso compartilhar essas coisas. Não sei se alguém teria vontade de ler um blog assim, não sei exatamente para o que serviria, mas é o que eu sinto vontade de fazer agora. Por trás dessa introversão tão característica minha (introversão não é timidez, são coisas muito diferentes) vem esse desejo de escrever. Então, pode ser que eu crie um blog sobre assuntos gerais. Estou me sentindo como uma dessas pessoas que queria escrever romances e de repente descobre que nasceu pra ficção científica. É engraçado.  

O que pensam sobre isso?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Eu, fazendo as unhas na esmalteria

Oi gente,

Aconteceu de abrir uma padaria bacaninha que vende umas coisas diferentes num bairro vizinho. O meu bairro é mais simples, só tem padaria que vende o trivial mesmo. Aí criei hábito de passar na padaria diferente em dia de querer coisas diferentes e eis que, ao lado da dita cuja, vislumbro uma lojinha meio cor de rosa. É uma esmalteria. Eu, que não me divirto comprando esmalte mas não tenho nada contra quem curte a coisa, pensei assim, que onde vende esmalte devem fazer as unhas e lá fui anotando o número do lugar para depois ligar e agendar uma manicure.

Eu não gosto de salão de beleza. Acho o cheiro estranho, as conversas em sua maioria deprimentes e francamente desinteressantes e tudo aquilo basicamente muito chato. Me sinto como um peixe fora d'água. Quando vou, é pra cortar cabelo e mesmo assim torço para ser rápido. Mas... eventualmente gosto de fazer as unhas e como a minha coordenação motora não é tão boa assim e ainda não descobri jeito de fazer as unhas sem ser em salão,  a ideia de ir a um local dedicado somente a unhas me pareceu interessante e comecei a sonhar com um ambiente silencioso, sem revistas Caras, sem conversas sobre a última esponjinha pra passar base no rosto (eu sei que estou soando antipática,  mas juro que estou tentando ser delicada). Marquei de fazer as unhas e hoje fui lá pela segunda vez.

São algumas centenas de esmaltes enfileirados em prateleiras, um ambiente predominantemente cor de rosa e frequentadores bizarros, entre os quais, é claro, me incluo desde a semana retrasada (!) . Eu chego, pago e espero a minha vez. Ninguém entende o porquê de eu pagar antes. Ninguém acredita muito que eu não quero comprar uma rifa em que serão sorteados um monte de produtos da Mary Kay. Ninguém compreende porque eu não compro um monte de coisas. E eu entro numa onda meio paranóica (idéia,  paranóia,  azaléia...), entro numa onda paranóica e começo a achar que o povo de lá está irritado porque não compro nada. Será só coisa da minha cabeça?  Sabem aquela sensação de que o vendedor está de saco cheio de você ter olhado tudo e só ter comprado algo simples e barato? É essa sensação. A minha percepção pode estar muito maluca, mas eu diria que as pessoas que lá trabalham ficam meio indignadas comigo... Hoje uma vendedora me perguntou assim: "Como é que você não compra nada?". Aí percebi que não era paranóia minha. Respondi que não precisava comprar nada, que não queria comprar nada, que ia ali porque ali tinha tudo que eu precisava para fazer as unhas inclusive uma ampla seleção de esmaltes entre os quais escolher. Chocada, a vendedora: "Então você não compra esmalte? Nunca vi mulher assim!". E eu ali, com uma mão de molho em água quente, as unhas da outra sendo lixadas, o rosa intenso do local me cegando.... respondi: "Agora você viu!".

Juntou-se em torno de mim toda a equipe da loja (OK, são 3 pessoas e uma, a mulher que fazia as minhas unhas, tinha que ficar perto de mim de qualquer maneira). Começou uma sabatina. Queriam saber tudo sobre a minha pessoa. Aí repararam que não uso maquiagem; perguntaram "Mas e se você pudesse comprar todos os esmaltes, não ia querer um de cada?" (ju-ro!); me perguntaram se eu trabalho; que tipo de música eu ouço e acabamos chegando na velha questão "Por que existimos?". Sim, gente, em plena segunda feira...e eu estou sendo bem literal na descrição! Começamos a falar de consumo, de como existe essa idêia muito forte de que mulher tem que consumir certos objetos e serviços pra ser considerada mulher, de feminismo, dos relacionamentos de cada uma delas, de solidão, da morte de pessoas próximas, de como se virar sozinha, de onde mandar carro pra revisão, de um bom lugar para comprar pneu que dá desconto progressivo.... e aí minhas unhas ficaram prontas, no meio da conversa sobre o pneu. E acho que elas me perdoaram por não comprar outras coisas e nem usar esmaltes especiais que custam 3 reais a mais que os outros. Saí de lá com o apelido de "cliente excêntrica". E não sei se volto mais lá. Ainda estou meio chocada, preciso digerir isso!

Marina
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