domingo, 16 de junho de 2013

São duas horas da madrugada...

...e eu estou acordada vendo seriados em um volume bem baixo. É bom ter a casa só para mim e fazer as coisas no meu ritmo. Às vezes penso em como as pessoas que têm filhos fazem para ter momentos de silêncio e solidão e tenho essa hipótese de que elas tomam banhos um pouco mais demorados do que o normal ou de que simplesmente são seres mais evoluídos que eu. Eu tenho essa necessidade de estar em um ambiente menos barulhento do que a maior parte das pessoas parece achar aceitável. E preciso muito ficar sozinha de vez em quando. Eu prefiro dormir em ambientes bem escuros e silenciosos. Gosto de pessoas, de conversas, de coisas alegres e de estar em ambientes ruidosos eventualmente, mas preciso de um pouco de paz todos os dias. 

O minimalismo, a vida simples, o consumo consciente... tudo isso são formas de diminuir os ruídos e os excessos que me sufocam. Assim fica mais fácil perceber quem eu sou, o que preciso fazer, o que quero fazer e como as coisas estão. Eu não me perco na confusão de muitas coisas, muitos nomes, muitas marcas, muitos sons, etc. Eu encontro um certa ordem que me faz bem. Há algo de muito agradável em me deitar em uma cama com lençóis recém trocados de algodão com aquele cheiro de roupa limpa, ao lado de uma pessoa maravilhosa que dorme, com a casa em silêncio e o som de um apito de trem que corre nos trilhos cruzando a cidade. Existe uma felicidade imensa em acordar num domingo e saber que as pessoas que eu amo existem, que o mundo está vivo mas que eu posso ficar por alguns minutos na cama, quieta, olhando para o ângulo branco formado por duas paredes que se encontram no canto do quarto. E é tão bom quando viajamos e eu dirijo (eu sou a motorista oficial) ouvindo música num som não muito alto, sentindo o vento bater nos meus cabelos por uma fresta da janela aberta enquanto escuto uma ou outra frase feliz que vem interromper os meus devaneios mas não se transforma necessariamente numa conversa - algo como "Você quer água?" ou "Acho que vamos chegar lá na hora do almoço". 

O minimalismo vem transformando muito a minha vida e estou tentando me despojar de tudo que não é importante, necessário ou construtivo. Gente, é difícil, mas é bom e eu recomendo. Estou aprendendo muitas coisas. Estou reaprendendo a curtir os silêncios e essa solidão feliz de quem não é realmente sozinho. Ser psicóloga tem sido difícil e estou aprendendo que tudo que é vivo sofre muito... mas que a gente continua vivo apesar do sofrimento, então só nos resta aprender com nossas experiências e lutar para que as coisas sejam melhores e mais justas. Às vezes só contemplando as coisas eu consigo me desligar de tudo isso. E estou cada vez menos interessada em longas conversas e diplomacia... tudo que eu quero é estar em paz. E se antes eu pensava que estar em paz tinha a ver com pensar, hoje eu percebo que tem a ver com existir. Então se brigamos e o que eu realmente quero é estar perto de você, vou me reaproximar. E se você me fizer mal, vou me afastar. Se eu penso A, a minha vontade toda é de dizer A; se eu penso B, eu só quero mesmo é B. Toda a minha fisiologia deseja estar em paz com a minha psiquê. Todo o meu corpo quer ser também mente e essa ideia me acalma. E caminho, gradualmente, em direção a uma vida menos complicada ou assim eu espero. Uma vida em que eu possa simplesmente ser eu, sem grandes ruídos, sem grandes sufocamentos, sem essa loucura insana que me impede de respirar e também sem aquela tristeza e angústia enlouquecedoras da minha adolescência. E eu sei lá o que é isso, mas eu vislumbro a existência desse jeito de existir. 

Eu olho para frente e vejo o que eu quero pra mim. E isso não tem um formato definido, mas é uma coisa mais simples do que o que eu sou agora. E agora (não, não estou inventando), o silêncio da minha casa passou a ter som de chuva caindo no telhado. Eu quero ver a realidade como ela é, e quero conseguir lidar com ela. Eu quero ter menos medo das coisas e de mim mesma. E não quero mais comprar coisas pra preencher tantos buracos, nem ter uma rotina frenética para não ter tempo de pensar, nem comer um monte pra calar alguma angústia, nem manter conversas longas e complexas por medo de dizer de forma direta e franca o que eu realmente penso. Eu quero fazer o exercício doloroso, revelador e libertador de entrar em contato comido mesma. Eu quero abraçar a vida e me entregar completamente a ela sem que isso signifique uma impossibilidade de cuidar de mim e de me proteger na medida certa. Eu quero essa sensação inexplicável que só o desapego parece ser capaz de trazer nesse momento da minha vida.

Marina
     

terça-feira, 11 de junho de 2013

De que formas a minha vida é simples

Olás!

Hoje senti necessidade de elencar o que mudou na minha rotina desde que comecei a simplificar a minha vida e consumir menos. Muitas pessoas pensam que aqueles que buscam uma vida mais simples ou minimalista estão fazendo enormes sacrifícios e têm vida chatas e sem graça. Eu não sinto assim e a minha lista de coisas que mudaram ajuda a mostrar isso.

- Consumo bens de maior qualidade porque prefiro ter coisas boas que duram muito tempo do que coisas que logo precisarão ser descartadas e substituídas.

- Estou me esforçando para ser mais saudável, algo que antes ficava depois do desejo de "ser bonita" na minha vida. Pela primeira vez na minha vida eu não estou dizendo isso da boca pra fora. 

- Percebo claramente que eu sou interessante, feliz, etc. exatamente como sou e que não sou um produto que tem de se adequar às sugestões das outras pessoas ou da nossa sociedade "de consumo". Eu sou uma mulher real e isso é bom. 

- Tenho tempo livre que posso usar como eu bem entender.

- Percebo melhor quais são as áreas da minha vida que precisam ser mais desenvolvidas e é mais fácil dar atenção a elas.

- Voltei a ouvir música e a ficar em silêncio de vez em quando.

- Gosto de me sentar na varanda de casa e olhar para o jardim.

- Estou redescobrindo a minha ligação com a natureza aos poucos.

- Sinto que as minhas atitudes ajudam a melhorar o mundo, ainda que só um pouquinho.

- Consumo bem menos e me dou o direito de gastar um pouco mais se isso significar que vou adquirir um produto de melhor qualidade, mais durável ou produzido de forma mais ética.

- Comecei a plantar alguns alimentos (temperos, frutas, pouca coisa) e já pude temperar meus pratos com ervas orgânicas que colhi em meu jardim. É maravilhoso me alimentar de algo que eu plantei. É maravilhoso ver as plantas respondendo aos meus cuidados e crescendo.

- Tenho menos objetos e aos poucos consigo me livrar do excesso.

- Estou exercitando o desapego.

- Aprendi que eu mesma posso pintar minhas paredes, instalar prateleiras e cortinas, consertar coisas estragadas e resolver uma série de coisas do gênero...

- Ainda tenho o sono caótico, mas com certeza ele está MENOS caótico.

- Minha vida está um pouco mais organizada.

- Me sinto mais aberta para amar.

- Sou imensamente grata pelas pessoas maravilhosas que me amam e apoiam e por tudo que eu tenho.


Marina

domingo, 9 de junho de 2013

Nessa semana eu vou:

1 - Doar as minhas toalhas redondas porque na casa nova temos uma mesa retangular. Bem, talvez eu mantenha uma ou duas toalhas redondas que AMO e que usarei na mesa retangular mesmo assim. 

2 - Transformar panos de prato velhos em panos de chão. Recebemos uma visitante muito agradável que  nos presenteou com uns 7 panos de pratos novos, todos lindos e alguns panos de prato antigos estão bem velhinhos mesmo...

3 - Fazer comida em casa e levar para almoçar no trabalho. Preciso gastar menos nesse mês e cada dia em que almoço fora gasto uns 12 reais. Uma semana = 60 reais, quatro semanas = 240 reais. E 240 reais a menos seria complicado nesse mês!

4 - Levar um par de sapatos ao sapateiro, para costurar a sola que está descolando. Tenho adiado a realização dessa tarefa por meses e estou precisando do sapato.

5 - Levar a uma instituição adequada todas as roupas e objetos que separei para doar e que estão no porta malas do meu carro ocupando espaço.  


6 - Me deitar todo dia antes da meia noite. 

7 - Consumir somente o que for absolutamente NECESSÁRIO.

8 -  Me esforçar para me alimentar de forma mais saudável.

É isso. E vocês, o que farão para simplificar a vida nessa semana?

Marina
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