segunda-feira, 9 de junho de 2014

Tédio e desejo de comprar

Hoje, na hora do almoço, comi rápido e saí para fazer compras. O que eu ia comprar era um mistério total, uma vez que não precisava de nada, ou pelo menos não de coisas que posso pagar nesse momento. 

Dirigi em direção à rua que tem mais comércio no bairro. Um brechó no caminho não me atraiu suficientemente a ponto de parar. A loja de shampoos e sabonetes também não,  afinal de contas tenho esses produtos em casa e comprei um shampoo ontem. Estou precisando de algumas peças de roupas bem específicas que não encontraria por ali. Quebrei a cabeça e não me ocorreu nada de que realmente precisasse ou que pelo menos desejasse comprar. 

Acontece que hoje eu estou bem melancólica e entediada. Nada me anima. A perspectiva de ir ao cinema, a ideia de ir tomar um café e escolher um bom livro, de chegar em casa e preparar alguma coisa gostosa pra levar para almoçar amanhã,  nada disso está me chamando atenção. Estou triste e nada concreto cura a minha tristeza hoje. Os motivos são muito meus... 

O fato é que às vezes eu me assusto com esse estágio de não querer quase nada. Outro dia comprei dois sapatos de que precisava muito e foi ótimo,  mas aquele prazer de sair e comprar qualquer coisa nunca mais existiu em sua forma pura. Quando eu tenho vontade de sair e comprar é como foi hoje: saio, dou uma volta, chego a entrar rapidamente em lojas variadas e vou embora sem comprar nada. Frustrada, acabo achando tudo aquilo um desperdício enorme de tempo e gasolina. 

Isso de querer comprar por comprar é parecido com o que eu fazia com o cigarro e ainda faço com a comida: automaticamente me volto para algo que supostamente é prazeroso em momentos de tédio e desânimo. Problema é que o cigarro só causava mais dor de estômago (parei de fumar há alguns anos), a comida só me deixava meio anestesiada, enjoada, com azia e mais gorda e as compras só encheriam a casa de coisas inúteis e consumiriam meu dinheiro. E isso tudo tem a ver com tédio,  com um tédio existencial enorme e tosco... 

E eu me sinto um pouco desprotegida, assim sem recursos superficiais para me defender desse tédio,  para fingir que essa tristeza não está acontecendo. Curar tudo com um cigarro, um chocolate ou uma sacola de compras era fácil e parecia eficaz em tempos passados. Hoje sobra o que? Hoje como é que eu me acalmo? Meu expediente de distrações e coisas prazerosas está minguado e já tenho pedalado demais, assistido a seriados em excesso, lido bastante, arrumado a casa... Acho que em alguns momentos a vida é meio chata mesmo e não há nada que possa ser feito a respeito disso a não ser continuar vivendo e esperar a sensação ruim passar sem dar bola demais pra ela, sem deixar também que ela cresça. Comprar alguma coisa não vai fazer passar. Nem comer, nem fumar, nem fazer qualquer uma dessas coisas que acabam sendo destrutivas e depois deixam a gente com ressaca moral... 

Marina

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O chocolate está pela hora da morte....

Oi gente. Não vou entrar num de explicar meu sumiço, então vou direto ao assunto de hoje. 

Tenho participado de conversas aleatórias sobre a Páscoa e os planos do pessoal de comprar ovos de chocolate. Aí, fui olhar os preços e os achei... absurdos, ridículos, abusivos. Ouvi falar que rola uma campanha para que as pessoas comprem barras de chocolates em vez de ovos, mas na prática todo mundo parece estar comprando os ovos mesmo. O motivo principal? Brinquedos. Dentro dos ovos que estão associados a personagens ou marcas infantis sempre vem um brinquedo. E a criançada quer o brinquedo. Se o chocolate é bom ou não é, se o ovo é grande ou não, tanto faz. O que importa é o brinquedo, o resto é bônus. Acho deprimente que seja assim e imagino que estaria arrancando todos os fios de cabelo se tivesse filhos!

Também ganhei chocolate de presente. Bastante chocolate. E eu estou numa de tentar me alimentar melhor, então o chocolate acaba complicando a minha vida. Eu curto o carinho, o afeto, tudo isso, mas uma caixa de chocolates invariavelmente resulta num episódio de compulsão alimentar... Como uma garrafa de bebida na casa de um alcoólatra. Resultado disso é que estou distribuindo chocolate a rolé e de repente todo mundo me acha generosa (posso até ser, sei lá, mas a minha motivação atual é me livrar do chocolate mesmo). Para os mais próximos eu comprei chocolate pra dar de presente... mas pouco chocolate. Pouco mesmo. Todo mundo é bem saudável e está tentando manter ou perder o peso.

O que me surpreende, provavelmente devido ao fato de eu vir de uma família que comemorava a Páscoa de forma nada tradicional, é a quantidade de dinheiro que as pessoas gastam com isso, o volume de chocolate que é dado de presente para uma mesma pessoa e a euforia que cerca o tema. Às vezes chego à conclusão de que a imensa maioria das pessoas vive escravizada por todas essas convenções que nos dizem o que consumir, em que época e de que forma. Na Páscoa, ovos de chocolate. No dia dos namorados, flores, doces, presentes em geral. Dia das crianças, brinquedos. Natal, presentes em geral. E assim segue a boiada... Pouca gente tem coragem de romper com essas tradições, muitos não romperiam com elas mesmo que pudessem pois adoram o frenesi consumista e vários, como eu, aderem com maior ou menor intensidade a algumas dessas datas associadas ao ato de consumir. Fico com dó de quem ganha salário mínimo e de repente, no meio de abril, "tem" que comprar ovos da Páscoa para 3 filhos e 2 netos. Aí, logo, logo, chega outra data. E a sensação de controle sobre o próprio salário se perde entre fitas e embalagens de presente. A pessoa começa a se sentir refém de tudo isso... A pressão para que a tradição dos ovos de chocolate continue é fortíssima. 

Alguém aí tem dicas para lidar melhor com isso? 

Marina

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Provocações

Você já parou pra pensar...

... se o kindle é mesmo mais sustentável em relação a livros físicos?
... se os carros elétricos realmente fazem mais bem do que mal ao meio ambiente?
... se existem no mundo metais suficientes para bancar a quantidade imensa de tvs fininhas, lindas, de tela plana?
... se minimizar e simplificar é a mesma coisa?

Eu estou pensando nessas e em outras coisas.... vocês se fazem essas perguntas?

Marina

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